Sou vegano e como carne. Carne de paca.
Sou carnívoro e como frutas. Frutas opacas da paca.
Sou ovolactovegetariano e como hormônio. Hormônio de galinha e não de paca.
Sou onívoro e como de um tudo. Defeco monstros.
A espingarda de dois canos pendurada na parede da cozinha é a distância do ancião Carbogim.
O mestiço, o cachorro mestiço basset com americano, é o animal de caça. O mestiço come angu de moinho d’água, angu com ossos. Os ossos são de galo, de asa branca, rolinha e paca. Restos do comido.
Limpar o cano da espingarda. Guarda e aguarda.
A luz da Tocha, amiga de Curupira, aquece o temor do caçador e faz rastejar os mestiços.
A tocha é um monstro e atirei nela. Um tiro de dois canos criou um monstro.
Crisaor: o monstro gerador de monstros.
Vegetariano que come carne.
Carnívoro que flerta com Vertumnus.
Não-fumante que fuma.
Alcoólatra que não bebe.
Soo suor. Molhado seco, apelo olfativo e barba a contrapelo. Churréia sem dedos. Golas puídas.
No ecótono cidade-mata habita um monstro endêmico: eucótono.
Sou um monstro.
O outro é um monstro.
Sou o outro que são ambos.
Luís Carbogim, artista, professor e mestre em educação, atualmente é Analista Pedagógico - Arte (SRE/Juiz de Fora).


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